E assim vou traçando...

Sempre fui de rabiscar papéis, desde a minha infância. Me lembro bem de no pátio do colégio Marista onde estudei, rabiscar bonequinhos em caixas de fósforos e depois distribuir entre os colegas. Lembro das inúmeras broncas que levei de professores porque rabiscava as carteiras do sala de aula, ou mesmo de minha mãe por desenhar em toda contra capa do caderno. Os anos, então, se passaram como foguete. Numa época parei com os desenhos mas não com a idéia de fazer algo relacionado a arte, foi então que decidi fazer publicidade, o que não foi uma escolha muito sábia, porém aprendi algumas coisas que me levaram a trabalhar em certos lugares e nestes certos lugares conhecer certas pessoas que me deram certas e inesquecíveis oportunidades e me ensinaram muito. Amigos, antigos amigos, diretores de criação, redatores, ilustradores e outras dores. Dores que sentia por ter de certa forma deixado o desenho de lado. Lamentando a falta de tempo entre os expedientes loucos das agências, mas quem quer faz e não importa a hora, hoje eu sei disso. De alguns anos pra cá voltei verdadeiramente a mesa, ao lápis e ao papel. Precisei caminhar mentalmente num estilo, e de traço em traço numa eterna insatisfação (comum em seres imperfeitos) consegui chegar num raíz que me deixa muito bem. Cai de cabeça numa fonte de água doce e salgada chamada Cultura Brasileira. Me apaixonei por ela. E não é que aqueles bonequinhos das caixinhas de fósforos lembravam mesmo santinhos barrocos! E foi neste tambor que bati a mão. Inspirado hoje nesta relação religiosa, social e cultural vou seguindo com meu trabalho. Encantado com cores, traços, costumes e lendas sigo construindo meu caminho e encontrando meu espaço, não no mercado, mas no livro, no site, na camiseta, na revista, na bolsa, no livreto, no muro…. Bebo da fonte brasileira com alguma coisa de nouveau e não largo os rocócós Obrigado pela visita!

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©2010 - Matheus Vigliar | ilustração | São Paulo, Brasil



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